O “presidente” no seu labirinto

Agarrou-se ao seu Rosário, para rezar mais um terço
Encontrava-se em calvário, não lhe sobejando testo
Sentia-se meio Furtado, presidiário no seu esterco
Vendo-se achocolatado, bebeu Leite a qualquer preço!
Prova de fé e firmeza, granjeada pela reza
Agarrou-se com destreza, à réstia da sua avareza
Que sem ponta de nobreza, resultara da limpeza
Para sair em beleza, depois de tamanha magreza!
Vinha cheio de vontade, mandatado por centenas
Inchou-se de vaidade, imaginou-se em comendas
Mas a prova da verdade, não está para meias certezas
E demonstrou a ansiedade, quando destituído em justeza!
Retrato de imbecilidade, de traição, de alcoviteiro
Julgava que a verticalidade, era um pau de marmeleiro
Que usava em sociedade, com a varina do poleiro
Para anunciarem a bondade, em gritos de cauteleiro!
Um “presidente” completo, congruente e à maneira
So não gosta do inestético, que ele é prova verdadeira!
Bonito, eloquente e aritmético, uma cabaça sem ombreira
De sentido Soviético, um democrata sem peneiras!
Por isso se livrou da pintura, daquela alminha semi-nua
Que ofendia a partitura, que ele inscrevia como sua
– Aqui na Prefeitura, só quadros com desenvoltura!
– Sem traços de formosura, que a malta é mais agricultura!
– Gostamos de plantar tomates, de regar umas alfaces!
– Para não mostrar os dislates, nem tampouco os disparates!
Desta trupe de primates, que actuam enquanto trastes
Protectores das belas artes, e mais uns quantos baluartes.
Por isso, o nosso songo-mongo, só luta com arremedo
Quando lhe soltam o ditongo, apontando-se-lhe o dedo
Aí, solta um redondo: – Ai, que eu vou para o degredo!
E com verdadeiro estrondo, tudo se mantém em segredo!
Ah, também luta por perdiems, distribuídos a pedido
Um por cada leg, sine diem, distribuindo fones d’ouvido!
Que pródiga Intelligentia, que pessoal-sindical curtido!
Põem tudo sem carência, desde que paguem o devido!
Que bem que todos ficamos, lindos na fotografia!
Passamos, todos por asnos, que bela iconografia!
Representados que somos, por gente sem biografia
Como desejar mais assomo, com esta pornografia?
E esta gente que engana, de permeio com a estupidez
Ainda usa de artimanha, para se insurgirem outra vez!
Não coloquem mais lenha, ganhem alguma lucidez
Construam alguma resenha, saiam com  cupidez
E neste quadro grupal, em que a instituição se naufraga
Salva-se o Mestre Bual,  ainda que com muita mágoa
Sim, que as musas com sal, são tidas como uma chaga
Tentação em bacanal, que importa crucificar em tábua!
E no sentido do belo, que este “presidente” ostenta
Vimos que com o martelo, ele sabe usar da ferramenta
Para montar em cadeiral, o novelo, a ditame da Presidenta
Sabendo que sem esse aval, há muito que estava em tormenta!
E assim se vê a coragem, destas cabecinhas airadas
Que só mantêm a margem, a troco de mesadas-retiradas!
Assim se esbateu a clivagem, se promoveu a asneirada!
– Leve-nos da contra-margem, que nós abrimos a auto-estrada!
E deste teatro de enfeites, em que sobressaem marionetes
Destacam-se em fã deleite, quatro artistas de ramalhete:
A coelha que dá leite, o corcunda de gabinete!
Mais o “presidente”-azeite, e a jumenta-aríete!

* Ó Xôr “presidente”, deixou cair  a Máscara!!!
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Posted on 7 de Julho de 2012, in Palhaçadas and tagged , , , . Bookmark the permalink. 2 Comentários.

  1. Curiosamente tenho andado a pensar já há algum tempo num livro do Gabriel Garcia Marquez, O General no seu labirinto. Curioso! Cristina Vigon

    Gosto

  2. Curiosamente, já o li, há alguns anos, em versão espanhola. O Génio sul-americano, num retrato fidedigno de um país em ruínas, por outros motivos que não os nossos, mas com o mesmo desenlace. Esse, e a “Crónica de um sequestro”, foram lidos na língua-mãe do grande Gabriel. A imagem dessa Colômbia que tanto amo! Curiosamente, o meu Clube, contratou, hoje mesmo, um Jogador colombiano: Jackson Martínez!

    Beiinhos, e o meu muito obrigado, mais sentido, pelas suas corajosas intervenções neste espaço!

    P.S. Como sabe, eu sou como o Gabriel, só escrevo em ficção… ;-) – E perdoe-me, sequer, a comparação!…

    Gosto

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